História – Recife artificial feito com Intruders

reef1Um engenheiro da Grumman resolveu entrar para a história (ainda que um tanto desconhecida) ao apostar em um novo uso para centenas de aeronaves que iriam ser transformadas em sucata. Além de ser um fim honrado, o projeto, que ficou conhecido como Intruder’s Reef, ainda contribuiu para a vida marinha proporcionando um novo lar para centenas de peixes e mariscos.

Quer conhecer essa incrível história? Então vem com a gente!

No final dos anos 80, após quase duas décadas de bom uso às Forças Armadas Norte Americanas, o A-6 Intruder já apresentava sinais da idade. A Marinha, em especial, estava preocupada com a fadiga estrutural, fato confirmado em 1987 quando uma asa simplesmente saiu voando após uma manobra de alta carga G durante um exercício de bombardeio à uma base naval desativada na Califórnia.

Imediatamente, a USN estabeleceu um programa para substituição das asas da aeronave, sendo que a Boeing Military Aircraft (que havia adquirido a Grumman, fabricante do Intruder, uns anos antes) venceu a licitação, que custou cerca de US$ 588 milhões.

image107

As novas asas seriam produzidas com um material composto de carbono, e iriam equipar pelo menos 120 Intruder’s. Futuramente, cerca de 300 modelos iriam passar pela revitalização, para estarem preparados para o ano 2000. A base da Grumman de Saint Augustine, na Flórida, foi designada para produzir e substituir as asas de 72 aeronaves. Antes da fatídica falha estrutural, o Intruder ganhou excelente reputação em combate. O avião era capaz de bombardear com precisão no meio da escuridão, independente do tempo, alvos à mais de mil milhas de distância. O avião foi desenvolvido após a Guerra da Coréia, em resposta às necessidades da Marinha para um avião à jato de ataque para qualquer tempo.

a-6_title

A coisa que eu mais amo sobre este avião é que ele permite um piloto que voa bem poder trabalhar bem“, disse o Tenente Patrick Day, piloto de A-6 a bordo do USS Enterprise. “Você não se esconde atrás de sistemas ou computadores. Em voo, você realmente tem o avião em mãos.“.

01538423bc33fa2d22695e3c04594e18.jpg

Em 1993, da noite pro dia, o governo norte-americano determinou que o A-6 seria aposentado. No dia 17 de setembro deste ano, a Grumman recebeu uma ordem para parar imediatamente o trabalho de modernização da aeronave. Mais de 300 funcionários foram demitidos, e os Intruders que até então eram modernizados passariam a ser preparados para a destruição. Como o custo para transformar os Intruders em alvos teleguiados era muito alto, os modelos seriam sucateados. Imediatamente diversos museus solicitaram A-6’s para suas coleções, bem como algumas bases para expor os modelos em algum monumento.

4595827575_9fdb6b4648_z.jpg

Quase todas as bases e museus foram atendidos, mas ainda assim, dezenas de modelos seriam destruídos.

Independente do fim que cada aeronave teria, cada uma passaria por um processo de descontaminação, onde equipamentos militares e químicos seriam removidos e despachados para um local adequado. Segundo o engenheiro da Grumman Steve Blalock, era deprimente ver as aeronaves sendo sucateadas. No meio da tristeza e desgraça na Grumman, Blacklock resolveu atribuir uma nova missão aos Intruders, e fornecer à sua cidade um impulso ambiental. As águas ao largo da costa nordeste da Flórida são basicamente praias de barreira com diversos recifes. Além dos milhares de recifes naturais, existiam até então pelo menos 400 recifes artificiais, feitos de escombros de pontes e outros materiais antigos que eram atirador ao mar, a fim de criar um novo lar para as espécies marinhas. O aumento da demanda comercial destes materiais que eram dispensados no mar dificultou a formação de novos lares marinhos, o que instigou Blacklock.

haulinga6s

Membro de uma equipe de mergulho profissional, o engenheiro teve a ideia de fazer com que as fuselagens higienizadas dos Intruder’s pudessem se transformar em dezenas de recifes artificiais. Não foi muito difícil levar a ideia adiante, ainda mais após uma pesquisa da universidade local indicar que várias espécies da região preferiam recifes artificiais feitos de alumínio.

a6barge.jpg

Após um processo de limpeza e descontaminação, finalmente, em 16 de julho de 1995, quase dois anos após a idéia de Steve Blacklock, uma balsa despejou 26 aeronaves A-6 Intruder em um ponto localizado à 25 milhas da costa de Saint Agustine. Cinco dias depois, outros 18 modelos também foram lançados ao mar. “Como um funcionário da Grumman, aquilo partiu meu coração“, disse Blacklock, “Mas como um mergulhador, eu estava super animado. Nós criamos algo realmente importante para transformar esta triste perda em algo útil para o meio ambiente, além disso, todos seriam desmontados e sucateados, então demos à eles um fim menos triste.

0_1414e2_4966ed75_orig.jpg

Foi assim que 44 Grumman A-6 Intruder foram transformados em lar para espécies marinhas após quase 3 décadas de serviços prestados às Força Armadas Americanas. Um final glorioso para uma aeronave que marcou gerações e teve ação decisiva em milhares de missões.

 

Espero que tenham gostado da história! Até a próxima

Texto por: Thiago Oliveira (Tom Plasti)

Anúncios

Deixe um comentário

Preencha os seus dados abaixo ou clique em um ícone para log in:

Logotipo do WordPress.com

Você está comentando utilizando sua conta WordPress.com. Sair /  Alterar )

Foto do Google+

Você está comentando utilizando sua conta Google+. Sair /  Alterar )

Imagem do Twitter

Você está comentando utilizando sua conta Twitter. Sair /  Alterar )

Foto do Facebook

Você está comentando utilizando sua conta Facebook. Sair /  Alterar )

w

Conectando a %s